basta ter, temos que conversar
lamentar os orgasmos, organizar comíssios
chorar de rir da tragicomicidade vinculativa
nós, que bebemos água e cerveja
porque o bom vinho nos falta dentro da carteira
amamos símbolos. os derivados de gestos
sento na cadeira e sinto sede.
disfunção erétil te preocupa mais
que quadrilhas juninas no natal
que importa ver senão enxergar
que importa falar
senão o silêncio
ouvido atento, sábado a noite
desculpa militar
pro ócio sexual
ou desespero alheio por páginas de revistas?
domingo, 26 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
a graça do cinza
vestido que tu vestes
vulneráveis velas acesas, madrugada.
não vou, tu sabes,
viste verdade nas ruas vazias,
tão vagas quanto tuas vontades
vociferam longe, visto que o sono sempre vem
valei-me senhor, dizias em vertigens
viver era a mais valia
volte logo
vênus vulcanizada, voluptuosa
vulneráveis velas acesas, madrugada.
não vou, tu sabes,
viste verdade nas ruas vazias,
tão vagas quanto tuas vontades
vociferam longe, visto que o sono sempre vem
valei-me senhor, dizias em vertigens
viver era a mais valia
volte logo
vênus vulcanizada, voluptuosa
quarta-feira, 24 de junho de 2009
púque
tal como manhã
eu e meus olhos pesados,
péssima concentração provém de prazeres,
e por nada sentei-me a teu lado,
notar-se pelo o perfume, teus braços finos
suas vaidades quase contidas,
branca, leve.
como fotografia,
tua cabeça e pescoço.
imaginei te segurando
forte. mãos na cintura.
nesse frio, ficaria em teus cabelos
e te ouviria falar
até sei lá..
eu e meus olhos pesados,
péssima concentração provém de prazeres,
e por nada sentei-me a teu lado,
notar-se pelo o perfume, teus braços finos
suas vaidades quase contidas,
branca, leve.
como fotografia,
tua cabeça e pescoço.
imaginei te segurando
forte. mãos na cintura.
nesse frio, ficaria em teus cabelos
e te ouviria falar
até sei lá..
quarta-feira, 20 de maio de 2009
desvario
sexta-feira, 3 de abril de 2009
de avisar
hei de debater-me entre paredes
pulsar de minhas pálpebras
bato dentes, lábios ressecados
o cansaço do viajante cego, porém não menos sábio
não desejei ir a lugar algum senão teu corpo
nenhum leito quero meu, senão teus seios
sufocarei em teus cabelos, porque é de minha vontade
e posso pedir que me joguem ao cárcere viciante de tuas pernas
mas jamais, jamais
jamais padecerei frente à tua ausência...
pulsar de minhas pálpebras
bato dentes, lábios ressecados
o cansaço do viajante cego, porém não menos sábio
não desejei ir a lugar algum senão teu corpo
nenhum leito quero meu, senão teus seios
sufocarei em teus cabelos, porque é de minha vontade
e posso pedir que me joguem ao cárcere viciante de tuas pernas
mas jamais, jamais
jamais padecerei frente à tua ausência...
sábado, 28 de março de 2009

Edward Hopper - Sun in an Empty Room (1963)
O maior problema do ensino de arte em muitas instituições é não mostrar ao aluno que a arte vai muito além de teoria, de história e até de sensações. Se a arte existe de fato, ninguém a entende e ninguém sabe explicá-la. A existência da arte está diretamente ligada com a existência do artista?
Tudo bem, vamos lá...
Quem de nós irá definir o que não é arte ou quem é ou não é artista.
Ora, o sol nasce todos os dias, os ventos sopram sempre que podem, há sons em todos os espaços, todos os sorrisos das pessoas, o afeto que une cada um, o corpo da mulher amada, o trabalhador e sua rotina, a dona de casa que canta enquanto limpa sua casa, enfim...
se a arte existir realmente, somos peças de exposição andando por aí...
quarta-feira, 25 de março de 2009
Volta
minha agonia não é perfumada
meus pesadelos não mais me pertencem
me agradam o frio intenso e os dias nublados
pisar em chão de espinhos
tropeçar diariamente no amanhecer da tolice
prefiro ser coletivo, tão quanto um promíscuo
e etéreo talvez acorde,
assim como amei a noite
cabe a mim sentar em meu sofá e ler as notícias
ou jogar-me das pedras ao mergulho das belezas
não hei de esperar o tédio ninar meus medos
meus pesadelos não mais me pertencem
me agradam o frio intenso e os dias nublados
pisar em chão de espinhos
tropeçar diariamente no amanhecer da tolice
prefiro ser coletivo, tão quanto um promíscuo
e etéreo talvez acorde,
assim como amei a noite
cabe a mim sentar em meu sofá e ler as notícias
ou jogar-me das pedras ao mergulho das belezas
não hei de esperar o tédio ninar meus medos
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
tô legal
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
eu, tu, ele, nós, vós, eles.
não faz diferença,
o dia nublado ou o sol nascente
a criança suja as mãos, a poeira lhe cobre o rosto
o grito mudo, e eu, ouço a tudo
estou pronto para lamentar, fingir-me de tolo
piedade senhor! piedade senhor!
sou tal como rocha,
onde vou já existe morte, choro, entulhados e
enterrados sob escombros dos edificios
eu vejo a tudo e me entristeço
mas penso que no fundo, não me importo.
a dor no outro é fardo leve
meu egoísmo me abraça, venda novamente meus olhos
deveras sábio e conheço meu destino
hei de permanecer sentado em meu sofá de domingo
enquanto espero por um infarto, talvez um câncer testicular
abro mais uma lata de cerveja, troco mais de canal do que falo
minha barriga é crescente
peço a Deus minha própria salvação,
eu o acho interessante nos momentos ruins
nos bons momentos, esqueço-o.
sou o que consumo
e tudo está consumado.
o dia nublado ou o sol nascente
a criança suja as mãos, a poeira lhe cobre o rosto
o grito mudo, e eu, ouço a tudo
estou pronto para lamentar, fingir-me de tolo
piedade senhor! piedade senhor!
sou tal como rocha,
onde vou já existe morte, choro, entulhados e
enterrados sob escombros dos edificios
eu vejo a tudo e me entristeço
mas penso que no fundo, não me importo.
a dor no outro é fardo leve
meu egoísmo me abraça, venda novamente meus olhos
deveras sábio e conheço meu destino
hei de permanecer sentado em meu sofá de domingo
enquanto espero por um infarto, talvez um câncer testicular
abro mais uma lata de cerveja, troco mais de canal do que falo
minha barriga é crescente
peço a Deus minha própria salvação,
eu o acho interessante nos momentos ruins
nos bons momentos, esqueço-o.
sou o que consumo
e tudo está consumado.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
cigarras cantando, fogo nas ambulâncias
falhei em tentativa de tolice
de longe sinto e ambiento
naufrágios são frutos da estação
a terra por onde pisei
hoje acaricio, e minha mão
não impunha desafio,
não titulo em região
vou pela grama e assobio
ciente da decisão
decido. hei de ser arredio,
não compartilharei por precaução
mas sim por obrigação!
sem sombra, vício e tentação dominam
....não! estou mata adentro!
só ouço o som da respiração
pássaros, pássaros, podem passar
visto o velho calção, pés descalços ofereço à terra
alegrias que invento no espelho reflete,
amor a contento
incomum esse meu desejo
de despir rosas e te olhar escondido...
de longe sinto e ambiento
naufrágios são frutos da estação
a terra por onde pisei
hoje acaricio, e minha mão
não impunha desafio,
não titulo em região
vou pela grama e assobio
ciente da decisão
decido. hei de ser arredio,
não compartilharei por precaução
mas sim por obrigação!
sem sombra, vício e tentação dominam
....não! estou mata adentro!
só ouço o som da respiração
pássaros, pássaros, podem passar
visto o velho calção, pés descalços ofereço à terra
alegrias que invento no espelho reflete,
amor a contento
incomum esse meu desejo
de despir rosas e te olhar escondido...
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
domingo, 16 de novembro de 2008
Prelúdio para o café quente.
meus falsos heróis estão indo embora
e todos os ventos primaveris sumiram de minha cortina
todo este ar gelado, meus pulmões receosos
e os muros tomados de raízes e trepadeiras
impertinente o frio sob sua janela
mas o piano era tão bonito
perdi a conta, do quanto
sua beleza me impressionou
todos teus traços,
eu trouxe umas conversas para nós
não lembrava e sentia culpa
e todas as noites de sono me eram confortáveis
é, mas deixei de teus lábios, "ó tédio"
calma, eu posso saciar
a tua sede das semanas.
e todos os ventos primaveris sumiram de minha cortina
todo este ar gelado, meus pulmões receosos
e os muros tomados de raízes e trepadeiras
impertinente o frio sob sua janela
mas o piano era tão bonito
perdi a conta, do quanto
sua beleza me impressionou
todos teus traços,
eu trouxe umas conversas para nós
não lembrava e sentia culpa
e todas as noites de sono me eram confortáveis
é, mas deixei de teus lábios, "ó tédio"
calma, eu posso saciar
a tua sede das semanas.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
quinta-feira
humanamente falando era de natureza imprecisa, necessitava de impulsos para a própria vontade, isso preocupa diariamente. entrou em uma sala vazia, sentou em seu sofá, dez e vinte oito da manhã, não foi a faculdade. lembrou da mulher que ama, do medo da realidade, das falhas tentativas de desapego, da revolta com o meio, da risível rotina de sua vida e sociedade, viu demais e tão novo era. como homem buscaria sempre reflexão, a dura pena, prazer indizível, entendeu. notou-se na própria engrenagem, percebeu sua importância e percebeu em si o não uso de suas capacidades. abriu o botão da camisa, tomou doses de whisky e começou a escrever.
Um tolo! mal tem barba na cara.
Um tolo! mal tem barba na cara.
sábado, 27 de setembro de 2008
Desses dias
pereci aos corvos
busquei suspiros nos ombros da madrugada
seios frios, mãos e estátuas
adormeci em travesseiros de vinho tinto
fui dos dias o senhor das horas
pensei na morte do não viver
parti todas as correntes na desventura,
e preso, fui o extinto da liberdade
sonhei dois ou três enganos
e hoje, não tenho vida, senão toda a vida
no desperdício.
busquei suspiros nos ombros da madrugada
seios frios, mãos e estátuas
adormeci em travesseiros de vinho tinto
fui dos dias o senhor das horas
pensei na morte do não viver
parti todas as correntes na desventura,
e preso, fui o extinto da liberdade
sonhei dois ou três enganos
e hoje, não tenho vida, senão toda a vida
no desperdício.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Bom, esse é um pequeno trailer de um novo curta-metragem que participei como assistente de fotografia. Devo contar que foi uma experiência ótima pra mim, um projeto bem profissional já, com uma equipe que transbordava competência.
Quero ainda parabenizar o diretor do filme, Gabriel Tupinambá, que além de ser um excelente diretor de cinema, é uma grande pessoa, com quem gostei muito de trabalhar.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
não vou
estou farto dos sorrisos falsos
que invadem as cabeças cansadas.
não há valor para orgulhar-se
deitei a cabeça ao sono forçado
vida tranquila, tu já não me comove mais.
que invadem as cabeças cansadas.
não há valor para orgulhar-se
deitei a cabeça ao sono forçado
vida tranquila, tu já não me comove mais.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
humanamente
Não importa, se mereço
das questões que nunca faço
vem do ato, o descompasso
que me cega desde o começo
Sem esperar nenhum tropeço
todo o suficiente me parece escasso,
e imutável, eu não me caço,
por razões que desconheço.
das questões que nunca faço
vem do ato, o descompasso
que me cega desde o começo
Sem esperar nenhum tropeço
todo o suficiente me parece escasso,
e imutável, eu não me caço,
por razões que desconheço.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
1 de setembro, depois do céu nublado.
minha clareza está cansada.
só me resta da vontade, uma angústia da ação
tudo nos indivíduos deveria ser mais pensado
quando garoto, atendia o velho fruto da mocidade
e me sabia homem, fazia planos
hoje, não há mais no dia, o sol no seu rosto
e agora?
o que deve ser comemorado?
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Foda
queimem livros das estantes
do parto até as grandes coisas e sua garganta seca
tudo é plenitude nos lábios da mulher amada. (?)
santuário de costumes, caverna, rotina.
vão me vender na próxima esquina, não quer me acompanhar querida?
não há mal nenhum em ser um grande mamífero.
do parto até as grandes coisas e sua garganta seca
tudo é plenitude nos lábios da mulher amada. (?)
santuário de costumes, caverna, rotina.
vão me vender na próxima esquina, não quer me acompanhar querida?
não há mal nenhum em ser um grande mamífero.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
de dia.
não,
não quero mais viver à luz da sombra
quero redes e rosas como amantes
deitadas ao meu lado, respiro, e calmo.
longos goles entre os dedos,
maçãs e auréolas
ventos fortes na velha cortina.
quero o latido do cão amigo,
ave de rapina, voando longe
chuva nos lábios da primavera
a beleza e o seu palco
que abram-se os veludos das nascentes
eu correrei como o rio
e já rio de minha partida.
não quero mais viver à luz da sombra
quero redes e rosas como amantes
deitadas ao meu lado, respiro, e calmo.
longos goles entre os dedos,
maçãs e auréolas
ventos fortes na velha cortina.
quero o latido do cão amigo,
ave de rapina, voando longe
chuva nos lábios da primavera
a beleza e o seu palco
que abram-se os veludos das nascentes
eu correrei como o rio
e já rio de minha partida.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
entardecer
quero encostar minha cabeça
dominar o degrau de partida
escrever duas ou três preces
e me calar ao toque de recolher
tanto frio pra nada, o suor empalidece a brisa
se desfaz na velha curva, caçadora voraz
não há mais nada em mãos, nada
a não ser a velha promessa
das folhas no teu lençol de outono.
dominar o degrau de partida
escrever duas ou três preces
e me calar ao toque de recolher
tanto frio pra nada, o suor empalidece a brisa
se desfaz na velha curva, caçadora voraz
não há mais nada em mãos, nada
a não ser a velha promessa
das folhas no teu lençol de outono.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
aos 20.
O quarto cheira,
cheio de loucura
dava pra ver fumaça e os pés
dos outros.
Sinto o pesar nos olhos do bêbado,
música lenta, a mão segura o copo
gelo e vulcão.
Toda a cidade flutua, orquestra embriagável
imensa, imersa
pátria petrificada, puta dos meus prazeres
alivia a dor e sussurra
Vou comemorar a inércia de minhas pernas
o velório dos bons costumes
a falta de amor, a cegueira
venham todos os calores e as multidões
um brinde à tudo que é ausente...
cheio de loucura
dava pra ver fumaça e os pés
dos outros.
Sinto o pesar nos olhos do bêbado,
música lenta, a mão segura o copo
gelo e vulcão.
Toda a cidade flutua, orquestra embriagável
imensa, imersa
pátria petrificada, puta dos meus prazeres
alivia a dor e sussurra
Vou comemorar a inércia de minhas pernas
o velório dos bons costumes
a falta de amor, a cegueira
venham todos os calores e as multidões
um brinde à tudo que é ausente...
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Praia
Todas as espumas beijam tua face, e teus cabelos parecem seduzidos.Ó vento das estações. Some, ó pudor do passado.
experimente a busca e mantenha os olhos no que arde.
é tua. a infância afogada, mares de desejos.
corre, corre pois teu sorriso é salgado
os lados estão vendidos e toda areia marcada.
estamos juntos e o dia parece só teu
venha e deixe o ócio caminhar conosco.
Azul, é azul a nossa morte do mundo.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Isqueiros
Havia fumaça e isso já nos era suficiente.
comprei cigarros e algumas flores,
alguns maços amassados é verdade,
mas seus cabelos me davam sono.
bebíamos todas aquelas coisas
e tu, embriagada, acusava gerações
e profanava velhos costumes.
soluçavas além de tuas forças
e a todo momento, teus silêncios,
como longas embarcações inundadas
e naufragadas em mares que desconhecia.
te via nua em meus delírios
e me aprisionava em teus leves sussurros.
beijei-lhe o rosto enquanto dormíamos
já não eras mais minha...
comprei cigarros e algumas flores,
alguns maços amassados é verdade,
mas seus cabelos me davam sono.
bebíamos todas aquelas coisas
e tu, embriagada, acusava gerações
e profanava velhos costumes.
soluçavas além de tuas forças
e a todo momento, teus silêncios,
como longas embarcações inundadas
e naufragadas em mares que desconhecia.
te via nua em meus delírios
e me aprisionava em teus leves sussurros.
beijei-lhe o rosto enquanto dormíamos
já não eras mais minha...
sábado, 5 de julho de 2008
vaso
Oh languidez que me furto!
não vês? há mil pedaços do que fui
todos jogados, impuros, inválidos e
cálidos, pois todos os vazios me interessam.
Hei de fundar-me nas vicissitudes
e redescobrir-me nas necessidades.
não vês? há mil pedaços do que fui
todos jogados, impuros, inválidos e
cálidos, pois todos os vazios me interessam.
Hei de fundar-me nas vicissitudes
e redescobrir-me nas necessidades.
terça-feira, 1 de julho de 2008
criatura
um contraditor corrupto
castrado e celibatário
sem cruz e sem credo, credor de nada
canonizado categoricamente
de católico alfabetizado
do candomblé carismático
cantado e cultuado
ao mesmo tempo controlado
por cinco facções criadas por você, coração.
castrado e celibatário
sem cruz e sem credo, credor de nada
canonizado categoricamente
de católico alfabetizado
do candomblé carismático
cantado e cultuado
ao mesmo tempo controlado
por cinco facções criadas por você, coração.
terça-feira, 24 de junho de 2008
para Arthur Rimbaud.
dêem-me uma máscara para usar como face
a vida espectral da qual tornei-me amante
no suspiro seco, névoas do outono.
afinal, dividiremos os ânimos e lamentaremos o porvir.
a vida espectral da qual tornei-me amante
no suspiro seco, névoas do outono.
afinal, dividiremos os ânimos e lamentaremos o porvir.
assim, então
quem irá rir de tais deformidades?
domingo, 22 de junho de 2008
insônia
veste a lua o manto febril
foge a madrugada, veloz.
a noite enorme, tudo dorme, menos teu nome
passeio entre todas as orbes e brigo
meu travesseiro me escraviza
meu passado é o meu algoz
tu, que deitada, ao meu lado
eme embriagava dos teus lábios
teus cabelos moldavam meus desejos
e todo o teu infinito era eterno em minhas mãos
te abraçava, tu sabes...e sentia frio
em meu corpo, somente a ti obedecia..
foge a madrugada, veloz.
a noite enorme, tudo dorme, menos teu nome
passeio entre todas as orbes e brigo
meu travesseiro me escraviza
meu passado é o meu algoz
tu, que deitada, ao meu lado
eme embriagava dos teus lábios
teus cabelos moldavam meus desejos
e todo o teu infinito era eterno em minhas mãos
te abraçava, tu sabes...e sentia frio
em meu corpo, somente a ti obedecia..
sábado, 14 de junho de 2008
fugaz
Não sei me ver, mostre-me seus movimentos
Ande e suba logo essa escada, a maré cresce e nos assusta
Vamos dormir naqueles telhados, as chaminés cantam para nós
Estrelas nos engolem enquanto sonhamos com o porvir
Tudo vira manhã e nós nos deixamos derreter pelo o sol
Nunca o silêncio esteve tão perto, nunca sentimos tanto sono
Já era hora de tentarmos viver.
Ande e suba logo essa escada, a maré cresce e nos assusta
Vamos dormir naqueles telhados, as chaminés cantam para nós
Estrelas nos engolem enquanto sonhamos com o porvir
Tudo vira manhã e nós nos deixamos derreter pelo o sol
Nunca o silêncio esteve tão perto, nunca sentimos tanto sono
Já era hora de tentarmos viver.
domingo, 8 de junho de 2008
a eternidade do amor que acaba
Narrador:
Ver tudo o que não muda, a exatidão pela qual os fatos caminham. Muitas vezes sozinho, o meio que vivemos torna-se um meio de vida. E nos apaixonamos e nos deixamos conversar e beijar toda essa bagunça. Ficamos perdidos porque é mais fácil.
Somo passíveis, somos passionais. E tudo parece maior de longe agora.
Ver tudo o que não muda, a exatidão pela qual os fatos caminham. Muitas vezes sozinho, o meio que vivemos torna-se um meio de vida. E nos apaixonamos e nos deixamos conversar e beijar toda essa bagunça. Ficamos perdidos porque é mais fácil.
Somo passíveis, somos passionais. E tudo parece maior de longe agora.
sábado, 7 de junho de 2008
sete e meia da manhã
é, realmente me assustam as maneiras
o gosto do perdido, o entusiasmo que surpreende
os sorrisos meio enfurrajos dos dias mais velhos.
que nesse último gole de rotina, o veneno do amor
que te afasta, que não ama e que sempre bate-lhe a porta
não sei da medida do amor, e se amo tão prestativo
nem sempre entendo o que vivo, por aqui.
esse espaço confuso, onde tudo caminha para longe.
essa máscara de ser o parecido.
esse apego pelo o que se vai
e a vontade de ter tudo o que dói.
o gosto do perdido, o entusiasmo que surpreende
os sorrisos meio enfurrajos dos dias mais velhos.
que nesse último gole de rotina, o veneno do amor
que te afasta, que não ama e que sempre bate-lhe a porta
não sei da medida do amor, e se amo tão prestativo
nem sempre entendo o que vivo, por aqui.
esse espaço confuso, onde tudo caminha para longe.
essa máscara de ser o parecido.
esse apego pelo o que se vai
e a vontade de ter tudo o que dói.
terça-feira, 3 de junho de 2008
só mais 5 minutos.
naquele dia, tudo dormia.
o pobre mendigo, a luz do dia
o chão partido, o coração de cimento
cada momento, cada alegria
os sorrisos sonhavam, os ventos não sopravam
tudo era juntado em uma falsa sinfonia
eu estava lá, eu via e pelo menos achava,
mas quantos de vocês sabem que estão realmente vivos?
"I am the Lizard King, and I can do anything"
o pobre mendigo, a luz do dia
o chão partido, o coração de cimento
cada momento, cada alegria
os sorrisos sonhavam, os ventos não sopravam
tudo era juntado em uma falsa sinfonia
eu estava lá, eu via e pelo menos achava,
mas quantos de vocês sabem que estão realmente vivos?
"I am the Lizard King, and I can do anything"
segunda-feira, 26 de maio de 2008
epitáfio
queria poder dormir mais tranquilo. queria levar o cachorro que nunca tive pra dar uma volta na rua. queria que estivesse mais fria essa noite pra ver aquela fumaça saindo enquanto falo de mim mesmo. queria dançar em salões vazios e queria chorar em pianos. queria que ventasse todo o dia no meu rosto. queria que todos tivessem uma casa com flores na varanda. queria crianças chutando bolas no meu vidro. queria três dias nublados por semana e chuva só pra molhar a terra e dormir abraçado. queria fumar e beber whisky ouvindo Rachmaninoff e The Doors. queria me alegrar das alegrias alheias sempre e queria te ouvir cantar valsas enquanto tento pensar na minha vida. queria algo além da plasticidade da vida humana e queria te ver passar assim tão bela todo o dia nesses corredores.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
bar
entre goles, a ilusão
o despertar da inconsciência
sinto-me morbidamente vivo
meu ser, este já não é mais meu
doce realidade embaçada
que os azulejos me guiem
quando o mal se estabelecer
o despertar da inconsciência
sinto-me morbidamente vivo
meu ser, este já não é mais meu
doce realidade embaçada
que os azulejos me guiem
quando o mal se estabelecer
terça-feira, 13 de maio de 2008
lá fora, o frio.
vasto é isso que me enamora
visto a capa e beijo teu rosto
glorifico demônios que o cansaço me traz
parto calado, sem estar preparado
alforriado nas tristezas dos demais
televisão
distorcem meus pensamentos
digerem meus prazeres
dirigem meu divertir
que faço então?
logo eu que já não sou o protagonista
da minha própria existência...
digerem meus prazeres
dirigem meu divertir
que faço então?
logo eu que já não sou o protagonista
da minha própria existência...
sábado, 10 de maio de 2008
dedicatória
mesmo que os poetas se cansem de escrever todos os poemas, e que as mães chorem por seus filhos, porque eles não voltarão mais, e que nossas mãos esfriem e tremam, porque não nos resta mais o que saber, e que nossos olhos não se fechem porque já dormimos demais e estamos cansados de tanto descansar. e mesmo que não veja mais por um dia sequer seu sorriso e que cante com os mendigos pelo o resto da minha vida e todas as estrelas desapareçam porque a lua quer toda a escuridão da noite só pra ela. mesmo que não soubesse a razão pela a qual sei que tenho razão, eu te amaria até o padecer dos dias e das auroras.
terça-feira, 22 de abril de 2008
vazio (s)
d emi m, a pena s a fu maça
cer veja nu c op o, lá g r i m asnos olho s o
lh os no co po, l ágri mas nacer veja
f u m açae m m im
cer veja nu c op o, lá g r i m asnos olho s o
lh os no co po, l ágri mas nacer veja
f u m açae m m im
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
gramática, grama verde, granada...
Eu sou
Tu és
Ele também
Nós éramos
voz. cala-te
e l e s nos olham
longe de tudo que é
Tu és
Ele também
Nós éramos
voz. cala-te
e l e s nos olham
longe de tudo que é
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
o trabalho edifica o homem
é o que dizem por aí.
rotina, suor no rosto,
ônibus cheio, ar pesado,
criança no colo, sono atrasado,
calor infernal e você ao meu lado
e por um momento, tudo é detalhe.
domingo, 9 de dezembro de 2007
Pronomes
você. constrói e destrói todos os meus sonhos, em uma velocidade tão grande que nem consigo senti-los. você que ao mesmo tempo me desola, me enche de alegria. essa alegria, a mais triste. a tristeza mais doce. a brisa mais agradável. a redenção do que padece. você que parece e que aparece do nada, e de longe me acena, me manda um beijo, sorri pra mim, e antes de tudo acontecer, me deixa ser só.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
dependência
junto-me e voudespedaçar o que sou
fujo. mas ainda estou.
e na boca, um doce amargor.
a saudade me torna criança.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
tomaí
Every song says what's gonna happen in the next one. Every drop of blood still has some love to bleed on. And when the dark is white, it still has nothing new to you. Thought it shines so bright, you still do feel the blues. Every little girl got a little bit of whore inside her. Every little whore just needs someone to be her lover. And when the dark is white, it still has nothing new to you. Thought it shines so bright, you still do feel the blues. You saw it all and there's nothing you can do. Here comes something you already ate. But nowIt has some different taste. Take your time and let's check what it takes.
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